Natural de Belém do Pará e filho de advogados, Bruno Mafra, condenado por crime sexual contra as próprias filhas, começou a trabalhar aos 14 anos para auxiliar nas despesas domésticas. A inclinação para a arte manifestou-se cedo e mesmo diante das responsabilidades precoces, o jovem manteve vivo o desejo de estruturar sua própria banda, conciliando o trabalho braçal com os ensaios e composições
Por incentivo materno e em busca de uma carreira considerada mais estável, Bruno ingressou no curso de Psicologia aos 18 anos. Ele concluiu a graduação em 2005, exercendo a profissão por um período, mas a paixão pelos palcos falou mais alto logo após a formatura: ele produziu de forma independente seu primeiro material fonográfico. O investimento caseiro deu frutos rápidos, levando-o a fundar a banda Bruno & Trio.
O auge comercial veio em 2007, quando a canção “24 Horas” tornou-se um fenômeno de execução em rádios e festas de aparelhagem por todo o Brasil. O sucesso permitiu que o artista expandisse suas fronteiras, realizando turnês internacionais em países vizinhos como Suriname, Guiana Francesa e Venezuela, além de apresentações em Portugal, onde reside hoje e onde segue produzindo novos conteúdos.
Bruno Mafra foi condenado pela Justiça Paraense pelo crime de estrupro de vulnerável praticado contra suas duas filhas quando era crianças. A decisão da segunda instância confirmou a sentença de aproximadamente 32 anos de reclusão em regime inicial fechado. Na época do crime as crianças tinham 5 e 7 anos, respectivamente.
O caso veio à tona em 2019, quando as irmãs, já adultas, decidiram romper o silêncio e relatar às autoridades episódios ocorridos entre 2007 e 2011, época em que ambas tinham menos de 14 anos de idade. Segundo a denúncia do Ministério Público, os crimes aconteciam de forma reiterada na residência do acusado, em veículos e outros locais de Belém, valendo-se da autoridade paterna e de manipulação psicológica.
Em nota, a defesa do cantor, representada pelo escritório Filipe Silveira, afirmou que o processo ainda não teve decisão definitiva e que irá recorrer. Veja a nota na íntegra:
“Em atenção à sua consulta, o escritório Filipe Silveira, responsável pela defesa técnica, informa que o processo judicial ainda se encontra em curso, inexistindo, até o presente momento, decisão definitiva. Serão adotadas as medidas recursais cabíveis, uma vez que a defesa sustenta a existência de relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica dos atos processuais e da própria decisão proferida.
A defesa também registra preocupação com a divulgação de informações relacionadas a processo que tramita sob sigilo, circunstância que, em tese, exige rigorosa observância das restrições legais de acesso e divulgação, tanto para a preservação da regularidade processual quanto para a proteção dos direitos das partes envolvidas”, declarou a defesa do cantor.
O caso segue em tramitação na Justiça.
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