Kemilly Paiva Fernandes, de 19 anos, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva pela Justiça de Parauapebas. Ela é investigada pela suposta participação no duplo homicídio de Guilherme Rocha Oliveira e Jhonata Pereira Gomes, cujos corpos foram encontrados no dia 17 (segunda).
De acordo com a decisão judicial, a jovem teria atraído as duas vítimas para a própria residência, onde elas foram dominadas e amarradas. Em depoimento à Polícia Civil, Kemilly teria relatado em detalhes a dinâmica dos acontecimentos e afirmado ter presenciado a ação até o momento em que os homens foram levados para o local da execução. Após a audiência de custódia, ela foi encaminhada ao presídio.
Conforme consta na decisão, os fatos começaram por volta das 12 horas do dia 16 (domingo) e terminaram aproximadamente às 21 horas, quando as vítimas teriam sido levadas para um ponto de execução e mortas por integrantes de uma organização criminosa rival. A investigação aponta que os homicídios estariam relacionados à disputa entre facções criminosas.
De acordo com o documento judicial, Kemilly teria desempenhado o papel de “casinha”, expressão utilizada para descrever a pessoa responsável por atrair vítimas para uma emboscada. Os dois homens teriam sido atraídos para a residência em razão de um vínculo prévio de confiança.
A decisão também registra que Kemilly admitiu ter mantido relacionamento prévio com um dos supostos executores do homicídio, identificado pelo apelido de “Briza”, apontado como integrante de uma facção criminosa envolvida nas disputas locais.
DEFESA
A defesa pediu o relaxamento da prisão, alegando, entre outros pontos, que a captura ocorreu três dias após o crime e que não teria havido perseguição ininterrupta. O pedido foi rejeitado pelo juiz, que entendeu que as diligências policiais foram contínuas desde a ocorrência até a localização da investigada, caracterizando o chamado flagrante impróprio.
A defesa também solicitou prisão domiciliar, alegando que Kemilly é mãe e lactante de uma criança de cinco meses. O pedido foi negado. Na decisão, o magistrado considerou que o crime teria sido cometido com violência e que a própria residência da investigada teria sido utilizada para atrair e manter as vítimas sob domínio.
O juiz também destacou que conceder a prisão domiciliar no mesmo endereço utilizado para a emboscada poderia representar risco à criança, diante do contexto de violência e da suposta ligação da investigada com integrantes de organização criminosa.
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