As recentes manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro acenderam um alerta em movimentos sociais da esquerda brasileira. A preocupação é de que Bolsonaro saia impune das investigações sobre a suposta participação dele em atos golpistas.
Frentes de apoiadores do governo Lula, como sindicatos e movimentos sociais, anunciaram que irão realizar, no dia 23 de março, manifestações nas 27 capitais pedindo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O anúncio dos atos ocorreu ontem, dois dias após Bolsonaro reunir milhares de pessoas na Avenida Paulista e defender uma anistia para golpistas presos pelos atos de 8 de Janeiro de 2023.
As manifestações serão organizadas pela FPSM (Frente Povo Sem Medo) e Frente Brasil Popular. Ontem, os coletivos se reuniram com representantes do PT, PCdoB e PSOL, além de líderes de movimentos sociais para definir a data de realização dos atos.
Os protestos irão acontecer em todas as 27 capitais do país, mas haverá mobilização maior em São Paulo e em Salvador. Em entrevista ao Estadão, os líderes que participaram da reunião disseram que a capital paulista será privilegiada pelo seu histórico de manifestações e pelo números de pessoas que foram às ruas apoiar Bolsonaro no último fim de semana. A capital baiana será privilegiada por ser a maior cidade do Nordeste e um dos principais colégios eleitorais do presidente Lula.
O ex-presidente é investigado pela PF (Polícia Federal) pela participação em um golpe de Estado após as eleições de 2022, junto com aliados e militares de alto escalão. Após ser alvo da Operação Tempus Veritatis no último dia 8, Bolsonaro convocou apoiadores para um ato na Avenida Paulista, que aconteceu no último domingo (25).
No evento, ele negou ter atuado na tentativa de um golpe contra a democracia e minimizou a "minuta de golpe" de Estado encontrada pela PF, uma das principais provas contra ele.
Durante o ato, ocorrerá a leitura de uma carta onde será pedida a prisão de Bolsonaro e de outros aliados alvos da mesma operação da PF. O coordenador geral do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Rud Rafael, que integra a Frente Brasil Sem Medo, disse que líderes de movimentos da esquerda já consideram haver provas suficientes contra Bolsonaro, podendo o levar a prisão.
Além da prisão do ex-presidente e dos demais investigados, a manifestação também terá como prioridade o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Segundo organizadores, os movimentos irão prestar solidariedade ao povo palestino e pedir o fim do conflito na região.
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