Segundo as autoridades de saúde, o recente surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode envolver uma nova mutação do vírus. A suspeita levou o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças e a Organização Mundial da Saúde (OMS) a planejarem novos estudos para avaliar o comportamento do agente causador da doença. As informações foram divulgadas nesta semana pelo jornal britânico The Guardian.
Provocada pela variante Bundibugyo do ebola, a epidemia foi oficialmente notificada em maio deste ano. Contudo, especialistas acreditem que a circulação do vírus tenha começado ainda em janeiro. De acordo com Jean Kaseya, diretor-geral do Centro Africano, até o moemntom já foram registrados mais de quatro mil casos da doença na região.
"Precisamos verificar se não há um problema adicional ou se o vírus não está sofrendo mutação", afirmou Kaseya, em uma declaração feita durante o anúncio de que estudos serão realizados para investigar possíveis alterações no vírus e entender melhor a evolução da doença.
Dados do instituto nacional de saúde pública da RDC apontavam, até está última terça-feira (04/08), haviam 3.973 casos registrados e 1.801 mortes. Ainda segundo o levantamento, o surto está concentrado principalmente na província de Ituri, região afetada por conflitos e atividades de mineração, mas já alcançou Nord-Kivu, Sud-Kivu, Haut-Uele e Tshopo. Por outro lado, Uganda conseguiu controlar um surto com apenas 20 infecções registradas.
Segundo as autoridades, um dos desafios para o combate da epidemia é o rastreamento dos casos. De acordo com os dados, mais de dois terços das mortes por ebola acontecem fora dos centros de tratamento, e em uma unidade da Médicos Sem Fronteiras em Bunia, capital de Ituri, 90% dos pacientes internados não estavam entre os contatos previamente identificados.
Diante da situação, equipes de saúde planejam ampliar a busca ativa de casos com visitas de casa em casa para tentar conter o avanço da doença, além de reforçar o uso de ferramentas digitais e ações em acampamentos de deslocados internos. Segundo as autoridades, a estratégia prevê uma resposta mais próxima das comunidades atingidas pelos conflitos.
Outra medida que está sendo avaliada pelas autoridades é sobre o uso da vacina Ervebo e do antiviral remdesivir em pacientes, por meio de uso compassivo. Em alerta recente, a Unicef afirmou que o surto tem afastado famílias dos serviços essenciais de saúde, provocando também a queda de 69% na aplicação da primeira dose da vacina contra o sarampo em crianças na cidade de Mongbwalu, aumentando ainda mais o problema de saúde pública.
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