A cantora Gaby Amarantos viralizou ao dizer em entrevista que perdeu 15 kg após realizar procedimento de lavagem intestinal, também conhecida como enema ou "chuca". Especialistas dizem que o método não serve para emagrecimento e que o uso indiscriminado pode trazer riscos à flora intestinal.
"A minha mente limpou. O meu corpo limpou. Eu consegui emagrecer com estes processos. Foi a solução mais radical que encontrei. Eu já tinha feito de tudo e não conseguia emagrecer", disse a cantora no programa De Frente com Blogueirinha, exibido no canal Dia TV.
Procedimentos como o enema vêm surgindo como método de emagrecimento fácil e rápido. Eles são divulgados em clínicas de estética como uma forma de "desintoxicação" do corpo.
Contudo, segundo médicos consultados pela Folha de S.Paulo, não há evidências científicas sólidas que comprovem os benefícios.
O enema é uma limpeza intestinal feita pelo orifício do reto, com a introdução de líquido no intestino grosso, diz Alexandre Nishimura, cirurgião coloproctologista da clínica Procto Prime, em São Paulo.
O método é usado para aliviar constipação intensa, tratar impactação fecal (quando fezes muito endurecidas bloqueiam o intestino), preparar o intestino para exames (como a colonoscopia ou exames de imagem relacionados ao cólon) ou, em alguns casos, para aplicar medicamentos.
O enema não faz emagrecer, diz Fernando Flaquer, gastroenterologista do Einstein Hospital Israelita. "O procedimento somente limpa a parte do intestino onde não há mais absorção de nutrientes. Ou seja, somente limpa os resíduos, as fezes."
Nishimura diz que o procedimento pode causar uma perda momentânea de peso "porque elimina fezes e líquidos, mas não queima gordura nem acelera o metabolismo".
Segundo Nishimura, o enema só deve ser feito com orientação médica, principalmente em quem tem problemas intestinais, inflamações ou já fez cirurgias abdominais. Como a maioria dos procedimentos, possui riscos, que podem ser agravados quando é feito de forma incorreta.
"O enema pode causar irritação, ferimentos no intestino, infecções e até desequilíbrio de sais minerais do corpo. Usar com frequência também pode deixar o intestino 'preguiçoso'", diz o médico. Também há risco de alteração do funcionamento do esfíncter anal, podendo levar à incontinência urinária.
O enema é realizado introduzindo um tubo ou frasco próprio no reto. Injeta-se uma solução líquida, que pode ser água ou medicamentos. "O exame é desconfortável, com distensão e sensação de urgência para evacuar", diz Flaquer.
Gaby Amarantos também cita uma "super chuca" como método de emagrecimento. O termo é usado popularmente para se referir à limpeza intestinal feita com maior volume de líquido, para alcançar o intestino grosso.
O termo faz referência à "chuca" é uma lavagem interna do ânus e do reto, também chamada de ducha higiênica, usada para limpar fezes e garantir a higiene antes do sexo anal.
Os médicos reforçam que o uso do procedimento com forma de "detox" não tem benefício comprovado e pode ser prejudicial à saúde.
"Para emagrecer de forma sustentável, é preciso alimentação adequada, exercício, e mudança de estilo de vida", diz Nishimura.
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