Pesquisadores do Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha, identificaram um anticorpo capaz de neutralizar 98% das variantes conhecidas do HIV. O achado amplia as perspectivas de desenvolvimento de novas terapias e formas de prevenção contra o vírus, que desde 1981 já causou cerca de 44 milhões de mortes em todo o mundo, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).
De acordo com a agência da ONU, o número de mortes causadas pela Aids vem diminuindo progressivamente. O pico ocorreu em 2004, com 2,1 milhões de óbitos. Em 2024, foram registradas cerca de 630 mil mortes relacionadas à doença.
A equipe liderada por Florian Klein, diretor do Instituto de Virologia de Colônia, analisou amostras de sangue de 32 pessoas infectadas com o HIV. Dessas amostras, foram isolados mais de 800 anticorpos que apresentavam alta capacidade de neutralização. Entre eles, um se destacou: o 04_A06.
Esse anticorpo atua impedindo que o vírus se ligue às células do corpo, bloqueando o ponto de entrada usado pelo HIV para se multiplicar e enfraquecer o sistema imunológico. Em testes laboratoriais com camundongos infectados, o 04_A06 neutralizou a maioria das infecções e se mostrou eficaz contra 340 variantes diferentes do vírus, incluindo aquelas resistentes a outros anticorpos.
Klein explicou que o anticorpo se liga à proteína do envelope viral, impedindo que o HIV infecte novas células. Além disso, essa ligação torna o vírus mais facilmente identificado e eliminado pelo próprio sistema imunológico.
Os cientistas acreditam que o anticorpo 04_A06 pode ser aplicado tanto para tratamento de pessoas já infectadas quanto para prevenção de novas infecções. Nesse caso, atuaria como uma forma de imunização passiva, em que o corpo recebe anticorpos prontos em vez de produzi-los naturalmente — como ocorre em uma vacina.
Segundo Klein, o tratamento com o novo anticorpo poderia reduzir a necessidade de medicações diárias. Ele estima que o 04_A06 possa oferecer proteção por até seis meses, com eficácia superior a 90%, semelhante a fármacos injetáveis como lenacapavir e cabotegravir, já usados na profilaxia do HIV.
Embora o novo anticorpo represente um avanço importante, ainda não há vacina contra o HIV. Pesquisas baseadas em tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) estão em andamento e buscam estimular a produção de anticorpos a partir de uma proteína do envelope do vírus, semelhante à utilizada nas vacinas contra a covid-19.
Klein reconheceu que o desafio é induzir o corpo humano a produzir anticorpos amplamente neutralizantes. Já Alexandra Trkola, diretora do Instituto de Virologia Médica da Universidade de Zurique, afirmou que o 04_A06 é um anticorpo “extraordinariamente potente” dentro do grupo de neutralizantes conhecidos, por conseguir resultados que normalmente só aparecem com combinações de anticorpos.
Especialistas alertam que ainda são necessários testes clínicos em humanos antes que o anticorpo possa ser usado como medicamento. O chefe de Infectologia da Universidade Técnica de Munique, Christoph Spinner, destacou que os resultados obtidos até agora vêm apenas de estudos de laboratório e não podem ser extrapolados diretamente para o uso clínico.
Novas etapas de pesquisa devem avaliar dosagem, segurança e eficácia em pessoas, o que pode levar alguns anos. Apesar disso, os resultados são considerados promissores e reforçam a busca por novas estratégias contra o HIV.
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