A Anvisa liberou na segunda-feira (12) o uso do lenacapavir no país, medicamento injetável que previne e trata o HIV com aplicações semestrais. O registro marca um avanço científico, mas ainda com barreiras para a população.
Por exemplo, o preço alto do produto pode barrar sua oferta no sistema público de saúde. Também é importante entender que a autorização da Anvisa permite que o lenacapavir seja usado em pessoas a partir de 15 anos com peso mínimo de 35 quilos.
O produto atua como PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), método que utiliza antirretrovirais para proteger o organismo do vírus.
O infectologista Rico Vasconcelos, um dos pesquisadores brasileiros que testaram o medicamento, explica a diferença entre essa estratégia e as vacinas tradicionais.
"Na PrEP, você administra medicamento antirretroviral para a pessoa se proteger do HIV, enquanto na vacina você estimula o sistema imune por meio de um imunizante para que ela sozinha se proteja", afirmou o médico.
A aprovação contempla tanto a prevenção quanto o tratamento da infecção pelo HIV. Com isso, adolescentes que atendam aos requisitos de idade e peso também terão acesso ao medicamento quando ele chegar ao mercado brasileiro.
Quase 800 brasileiros participaram dos estudos clínicos em diversos centros de pesquisa no país. A Anvisa analisou esses dados e concluiu que a injeção é eficaz e segura para uso na população.
Apesar da aprovação técnica, o maior desafio está na viabilização do acesso ao medicamento. Vasconcelos alerta que o custo do lenacapavir é muito alto e pode inviabilizar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde.
"É um medicamento muito bom, muito potente na prevenção e no tratamento do HIV, muito cômodo porque pode ser aplicado em injeções a cada seis meses. No entanto, é um medicamento muito caro", destacou o especialista.
Os valores praticados em outros países dificilmente permitirão que o Ministério da Saúde oferte o produto gratuitamente à população.
A partir de agora, começa uma fase de negociação comercial para definir como essa nova tecnologia chegará aos brasileiros.
O infectologista ressalta que a aprovação da Anvisa representa apenas o primeiro passo de um longo processo. As próximas etapas envolvem discussões sobre preços e modelos de disponibilização.
As negociações precisam definir se o lenacapavir será oferecido pelo sistema público, ficará restrito ao mercado privado ou se haverá algum modelo misto de acesso.
Essas decisões determinarão quais brasileiros poderão se beneficiar da nova opção de prevenção e tratamento do HIV.
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