Uma nova técnica desenvolvida por cientistas da Austrália e dos Estados Unidos promete revolucionar o combate ao câncer. O método conseguiu desativar de forma permanente os genes responsáveis pelo crescimento de tumores cancerígenos.
Cientistas da Universidade Monash, localizada na Austrália, trabalharam em conjunto com pesquisadores da Universidade Harvard para criar um mecanismo inovador contra o câncer. A revista Nature Cell Biology publicou o estudo em janeiro deste ano.
Os resultados indicam que pacientes oncológicos poderão ter acesso a tratamentos mais breves e menos invasivos no futuro próximo.
O método utiliza a chamada terapia epigenética, uma abordagem que modifica a ativação ou desativação dos genes sem mexer diretamente no DNA. Os medicamentos atuam sobre o modo como as células leem as informações genéticas.
A equipe concentrou esforços em tipos agressivos de leucemia aguda. Essas doenças surgem quando um erro genético mantém os genes causadores de câncer sempre ligados, o que faz as células doentes se multiplicarem sem controle.
Omer Gilan, pesquisador sênior da Escola de Medicina Translacional da Universidade Monash e do Centro Australiano de Doenças do Sangue, liderou a equipe.
O grupo descobriu que duas proteínas epigenéticas — Menina e DOT1L — são fundamentais para o processo.
Quando os medicamentos atingem essas proteínas, os genes cancerígenos param de funcionar de forma duradoura. O diferencial está na capacidade de manter os genes desligados mesmo depois que o paciente interrompe o uso dos remédios.
Daniel Neville, doutorando e autor principal da pesquisa, explicou o conceito de memória epigenética. A proteína DOT1L cria uma espécie de registro nas células cancerosas que as mantém ativas e reproduzindo o erro genético.
Os medicamentos que atacam a proteína Menina apagam essa memória celular.
Com isso, as células doentes continuam a morrer por semanas ou meses após o fim do tratamento, o que representa um ganho significativo em relação às terapias convencionais.
A Universidade Monash planeja testar a descoberta em seres humanos ainda em 2026. O ensaio clínico será realizado em parceria com o Hospital Alfred, também situado na Austrália.
Shaun Fleming, professor associado e hematologista clínico, comanda o programa de doenças mieloides do Hospital Alfred. Ele classifica o estudo como um marco promissor para o tratamento da leucemia e outras formas de câncer.
Caso os testes confirmem a eficácia e segurança do método, pacientes oncológicos poderão se beneficiar de diversas formas:
A comunidade científica aguarda os resultados dos ensaios clínicos com expectativa, pois a técnica pode abrir caminho para uma nova geração de terapias contra diversos tipos de câncer.
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