A Polícia Civil do Pará passou a tratar como possível homicídio o caso da adolescente de 15 anos que desapareceu após um acidente com moto aquática no rio Tocantins, em Marabá, no sudeste do estado. Inicialmente registrado como desaparecimento, o episódio agora é investigado como um fato criminoso.
O acidente ocorreu na noite de terça-feira (3), em frente à orla da cidade, nas proximidades da Praia do Tucunaré, área que permanece submersa devido à elevação do nível do rio.
De acordo com o delegado Antônio Mororó, superintendente da Polícia Civil do Sudeste do Pará, a mudança na linha de investigação ocorreu após a análise de elementos reunidos nas primeiras diligências.
“Há elementos robustos que fizeram com que a Polícia Civil migrasse de um simples desaparecimento para um episódio criminoso. As investigações vão esclarecer se se trata de homicídio culposo ou doloso, dependendo da confirmação de uma eventual assunção de risco por parte do condutor da embarcação”, explicou o delegado em entrevista ao site Correio de Carajás.
Segundo as informações apuradas até o momento, a adolescente estava em um jet-ski conduzido por um homem de aproximadamente 30 anos, junto com outra passageira. O piloto relatou ao Corpo de Bombeiros que apenas oferecia carona às jovens, que faziam parte de um grupo de amigos reunido em um flutuante na região.
Ele também afirmou que utilizava colete salva-vidas. No entanto, testemunhas contestam essa versão e disseram que nenhum dos três ocupantes utilizava o equipamento de segurança e que o grupo realizava manobras no rio antes do acidente.
Durante a ocorrência, as duas adolescentes caíram na água e foram arrastadas pela correnteza. Uma delas foi resgatada e levada de ambulância ao Hospital Municipal de Marabá. A outra jovem desapareceu e ainda não foi localizada.
Até às 13h desta quarta-feira (4), equipes do Corpo de Bombeiros continuavam realizando buscas na área. Um helicóptero do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) também auxilia na operação.
A Polícia Civil informou que foi instaurado um inquérito pela Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca) de Marabá para apurar o caso como possível homicídio culposo.
Segundo a polícia, o condutor da moto aquática se recusou a realizar o teste de alcoolemia. Ainda assim, foi lavrado um auto de constatação de embriaguez. Ele permaneceu em silêncio durante o interrogatório e foi liberado, mas segue sendo investigado.
Testemunhas relataram que pessoas que estavam na orla ouviram gritos de socorro enquanto as vítimas eram levadas pela força da água. Moradores também destacaram que o nível do Rio Tocantins subiu consideravelmente nas últimas 72 horas, o que aumenta o risco de acidentes na área.
Informações extraoficiais apontam que a adolescente desaparecida estaria grávida, mas essa versão ainda não foi confirmada por fontes oficiais.
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